quinta-feira, 27 de junho de 2013

Religiosidade e Ancestralidade


Civilização Iorubá



          A sudeste da atual Nigéria constituíra-se o poderoso e dinâmico grupo Ibo. Possuía uma estrutura ultrademocrática que favorecia a iniciativa individual. A unidade sociopolítica era a aldeia. No sudoeste, desenvolveram-se os principados iorubás e aparentados, entre os séculos VI e XI. As suas origens, mergulhadas na mitologia dos deuses e semideuses, não nos fornecem, do ponto de vista cronológico, informações suficientes. O grande passado de todos estes príncipes é Odudua. Seria ele próprio filho de Olodumaré, que para muitos seria o Nimrod de que fala a Bíblia, ou segundo a piedosa tradição islâmica, de Lamurudu, rei de Meca.
            O seu filho Okanbi, teria tido sete filhos que vieram a ser todos “cabeças coroadas”, a reinar em Owu, Sabé, Popo. Benin, Olé, Ketu e Oyó. Por volta do século XII, Ifé era uma 3 idade-estado cujo soberano o Oni, era reconhecido como chefe religioso pelas outras cidades orubás. É que Ifé, fora o lugar a partir de onde as terras se teriam espalhado sobre as águas originais para, segundo a tradição, fazerem nascer o mundo. Os iorubás foram expulsos da antiga Oyó pelos Nupês (Tapas) estabelecendo-se no que é a Oyó de hoje.


O Império Ashanti

                O Império Ashanti ou Império Asante, também conhecido como o Ashanti Confederacy ou Asanteman (independente de 1701-1896), foi um pré-colonial estado do oeste africano que é hoje a Ashanti, em Gana.
                Seu império estendia-se da Gana central para o Togo dos dias atuais e Costa do Marfim. Hoje, a monarquia Ashanti continua como um dos estados tradicionais constitucionalmente protegidos, sub-nacional dentro da República de Gana.

Origens
                Os Ashanti ou Asante são um importante grupo étnico do Gana. Eles foram um poderoso povo, militarista, e altamente disciplinado da África Ocidental. A antiga Ashanti migrou das imediações da região noroeste do Rio Níger após a queda do Império Gana, em 1200. Evidência disto está nas cortes reais dos reis Akan,mas reis Ashanti cujas procissões e as ceremônias mostram resquícios de antigas ceremônias de Ghana. Etno linguistas têm comprovado a migração por detecção e uso da palavra e por língua padrão ao longo da África Ocidental.

                Por volta do século XIII dC, o Ashanti e vários outros povos Akan migraram no cinturão de floresta da Gana atual e estabeleceram pequenos estados no país montanhoso em volta da Kumasi atual. Durante o período do Império Mali, o Ashanti e o povo Akan em geral, ficaram ricos pelo comércio de ouro extraído do seu território. No início da história Ashanti, este ouro foi negociado com os importantes impérios de Gana e Mali.

                Contudo alguns historiadores que ronaldam, mantêm que os Ashanti são os descendentes daqueles etíopes mencionados pelos historiadores gregos, Diodorus Siculus e Herodotus, e que eles foram dirigidos para o sul por um exército egípcio conquistador.

Formação do reino
                A organização política Akan centrada em vários clãs, cada uma chefiada por um chefe supremo ou Amanhene. Um desses clãs, o Oyoko, assentados na sub-região de floresta tropical do Gana, estabelecendo um centro em Kumasi. Durante a elevação de outro Estado akan conhecido como Denkyira, Ashanti passou a tributário.

Reino Abomé
            Abomé era a capital do antigo reino do Daomé (situado no atual Benin). Esse reino foi estabelecido aproximadamente em 1625. Daomé era um reino africano situado onde agora é o Benin. O reino foi fundado no século XVII e durou até o final do século XIX, quando foi conquistado com tropas senegalesas pela França e incorporado às colônias francesas da África Ocidental.

Origens
            As origens do Daomé podem ser traçadas a partir de um grupo adjá do reino costeiro de Aladá que deslocou-se para o norte e estabeleceu-se entre povos fon do interior. Por volta de 1650, os adjá conseguiram dominar os fon e o Hwegbajá declarou-se rei de seu território comum. Tendo estabelecido sua capital em Agbome (ou Abomei), Hwegbajá e seus sucessores conseguiram estabelecer um Estado altamente centralizado com base no culto da realeza estruturado em sacrifícios (incluindo sacrifícios humanos) aos antepassados do monarca. Toda a terra era propriedade direta do rei, que coletava tributos de todas as colheitas obtidas.

            Economicamente, entretanto, Hwegbajá e seus sucessores lucraram principalmente com o tráfico de escravos e relações com os escravistas estabelecidos na costa. Como os reis do Daomé envolveram-se em guerras para expandir seu território, e começaram a utilizar rifles e outras armas de fogo compradas aos europeus em troca dos prisioneiros, que foram vendidos como escravos nas Américas.



            No reinado de Rei Agadjá (1716-1740) o reino conquistou Aladá, de onde a família governante se originou, desse modo ganhando o contato direto com os comerciantes de escravos europeus na costa. Não obstante, Agadjá era incapaz de derrotar o reino vizinho de Oyo, principal rival do Daomé no comércio de escravos e, em 1730, transformou-se um vassalo de Oyo, embora conseguisse ainda manter a independência do Daomé.

            Mesmo como um Estado vassalo, o Daomé continuou a expandir e florescer através do comércio escravista e, mais tarde, através da exportação de azeite de dendê produzido em grandes plantações. Pela estrutura econômica do reino, a terra pertencia ao rei, que detinha o monopólio de todo o comércio. O seu apogeu econômico ocorreu no início do século XIX com a exportação de grande quantidade de escravos para o Brasil e Cuba, tanto que o litoral era conhecido como Costa dos Escravos. Um dos mais famosos traficantes de escravos nesta época foi o brasileiro Francisco Félix de Souza, o Chachá de Ouidah, protegido do rei Guezô.

            O Daomé foi enfim conquistado pela França em 1892-1894. A maioria das tropas que lutaram contra o Daomé eram compostas por africanos nativos, a isto se acrescentou o sentimento de hostilidade contra o reino, particularmente entre os iorubás, levando à sua derrota final.
Em 1960 a região alcançou a independência como a República de Daomé, que mudou mais tarde seu nome para Benin. Os Palácios Reais de Abomei, foram consideradas, em 1985, pela UNESCO, Património Mundial.

O Reino do Congo

            O Reino do Congo ou Império do Congo foi um reino africano localizado no sudoeste da África no território que hoje corresponde ao noroeste de Angola, a Cabinda, à República do Congo, à parte ocidental da República Democrática do Congo e à parte centro-sul do Gabão.

            Durante seu processo de expansão marítimo-comercial, os portugueses abriram contato com as várias culturas que já se mostravam consolidadas pelo litoral e outras partes do interior do continente africano. Em 1483, momento em que o navegador lusitano Diogo Cão alcançou a foz do rio Zaire, foi encontrado um governo monárquico fortemente estruturado conhecido como Congo.

            Fundado por Ntinu Wene, no século XIII, esse Estado centralizado dominava a parcela centro-ocidental da África. Na sua máxima dimensão, estendia-se desde o oceano Atlântico, a oeste, até ao rio Congo, a leste, e do rio Oguwé, no actual Gabão, a norte, até ao rio Cuanza, a sul. O império era governado por um monarca, o manicongo, consistia de nove províncias e três reinos (Ngoy, Kakongo e Loango), mas a sua área de influência estendia-se também aos estados limítrofes, tais como Ndongo, Matamba, Kassanje e Kissama.



            Nessa região se encontrava vários grupos da etnia banto, principalmente os bakongo, ocupavam os territórios. Apesar da feição centralizada, o reino do Congo contava com a presença de administradores locais provenientes de antigas famílias ou escolhidos pela própria autoridade monárquica. Apesar da existência destas subdivisões na configuração política do Congo, o rei, conhecido como manicongo, tinha o direito de receber o tributo proveniente de cada uma das províncias dominadas. A capital era M'Banza Kongo (cidade do Congo), rebatizada São Salvador do Congo após os primeiros contactos com os portugueses e a conversão do manicongo ao catolicismo no século XVI, onde aconteciam as mais importantes decisões políticas de todo o reinado. Foi nesse mesmo local onde os portugueses entraram em contato com essa diversificada civilização africana.

            A principal atividade econômica dos congoleses envolvia a prática de um desenvolvido comércio onde predominava a compra e venda de sal, metais, tecidos e produtos de origem animal. A prática comercial poderia ser feita através do escambo (trocas) ou com a adoção do nzimbu, uma espécie de concha somente encontrada na região de Luanda.

            O contato dos portugueses com as autoridades políticas deste reino teve grande importância na articulação do tráfico de escravos. Uma expressiva parte dos escravos que trabalharam na exploração aurífera do século XVII, principalmente em Minas Gerais, era proveniente da região do Congo e de Angola. O intercâmbio cultural com os europeus acabou trazendo novas práticas que fortaleceram a autoridade monárquica no Congo.



Império do Gana
O Antigo Império Gana teve seu apogeu entre os anos 700 e 1200 d.C. Acredita-se que o florescimento desse império remonte ao século IV. Fundado por povos berberes, segundo uns, e por outros, por negros mandeus, mandês ou mandingas, do grupo soninkê. O antigo nome desse império era Uagadu, que ocupava uma área tão vasta quanto à da moderna Nigéria e, incluía os territórios que hoje constituem o Mali ocidental e o sudeste da Mauritânia.
Kumbi Saleh foi uma das suas últimas capitais. Segundo relatos históricos, o Antigo Império de
Gana era tão rico em ouro, que seu imperador, adepto da religião tradicional africana, tal como seus súditos, eram denominados “o senhor de ouro”. Com a concorrência de outras potências no comércio do ouro, o Antigo Império Gana começou a declinar. Até que, por volta de 1076 d.C., em nome de uma fé islâmica ortodoxa, os berberes da dinastia dos almorávidas, vindos do Magrebe, atacam e conquista Kumbi Saleh, capital do Império de Gana.

 O Império do Mali
Os fundados do Antigo Mali teriam sido caçadores reunidos em confrarias ligadas pelos mesmos ritos e celebrações da religião tradicional. O fervor com que praticavam a religião de seus ancestrais veio até bem depois do advento do Islã. Conquistando o que restara do Antigo
Gana, em 1240, Sundiata Keita, expandiu seu império, que já era oficialmente muçulmano desde o século anterior. E, o Mali se torna legendário, principalmente sob o mansa (rei) Kanku
Mussá, que, em 1324, empreendeu a peregrinação a Meca com a intenção evidente de maravilhar os soberanos árabes.

Império Songai
A organização do Songai era mais elaborada ainda que a do Mali. O Império Songai teria suas origens num antepassado lendário, o gigante comilão Faran Makan Botê, do clã dos pescadores sorkôs. Por volta de 500 d.C., diz ainda a tradição, que guerreiros berberes, chefiados por Diá Aliamen teriam chegado à curva norte do Níger, tomando o poder dos sorkôs. A partir daí, a dinastia dos Diá reina em Kukya, uma ilha perto do Níger, até 1009, quando o reino se converte oficialmente ao islamismo e transfere a capital para Goa, onde a dinastia reina até 1335. Nesse ano, o povo songai se liberta do Antigo Mali, de quem se tornara vassalo em 1275 e, começa a conquistar as regiões vizinhas.
Antigas Civilizações Africanas - Apresentação

Povoado há milhões de anos, nos últimos milênios o continente africano viu florescer
sociedades organizadas, complexas, originais, pequenos e grandes estados, conglomerados
culturais, civilizações. Há muito tempo está superada a idéia hegeliana de um continente
indiferente aos ritmos da história e a perspectiva colonialista de uma África “selvagem”,
aberta ao desbravamento e dependente de um processo civilizatório vindo de fora.

Desde os antigos núbios do reino de Kush e da civilização meroítica do Egito, dos povos
de Axum e da Etiópia, aos povos Shawili do Sudão Oriental, aos bérberes do Norte da
África que produziram as culturas do Marrocos e do Magreb, aos sudaneses e bantos da
faixa tropical da savana e da floresta, os africanos desenvolveram formas e técnicas de
cultivo, e produção de artefatos de cerâmica e de metal (em cobre, bronze, ferro e ouro).
Essas sociedades domesticaram animais, criaram artefatos cultuais, instituições políticas e
sociais, erigiram monumentos e se organizaram em sociedades e Estados de grande complexidade e originalidade.

Desde pelo menos a metade do século XX, quando Roland Oliver e depois John Fage
iniciaram estudos sistemáticos sobre os processos históricos das sociedades africanas,
o africanismo nasceu como campo de estudo, e a partir dos anos 1970 os pesquisadores
africanos assumiram diretamente a tarefa de investigar, debater e questionar os problemas
específicos de suas sociedades e nações.
Mas mesmo entre os africanólogos, o período menos estudado corresponde justamente ao
mais extenso do ponto de vista cronológico, quer dizer, aquele anterior ao colonialismo
europeu. 

Designado por alguns escritores de “África pré-colonial”, ou de “África tradicional”, ele diz respeito a um tempo que engloba pelo menos 5.000 anos de experiência
histórica marcada pelo dinamismo, diversidade e pluralidade tanto no tocante aos povos e
civilizações, quanto nas paisagens e nas produções de cultura material diferenciada.
Para os brasileiros, interessa avaliar as contribuições dos povos africanos, tanto quanto a
dos europeus, em sua formação como povo. E refletir mais detidamente sobre seus modos
de vida, suas instituições sociais e políticas, suas crenças e seus costumes próprios, quando

eram livres das interferências decorrentes do tráfico internacional e da diáspora.


África "O Berço da Civilização"

A África tem sido palco de alguns dos maiores avanços tecnológicos da história, entre eles a prática agrícola, criação de gado, mineração e metalurgia (do cobre, do bronze, do ferro, do aço), o comércio, a escrita, a arquitetura e engenharia na construção de grandes centros urbanos, a sofisticação da organização política, a prática da medicina e o avanço do conhecimento e da reflexão intelectual. Foi também centro do desenvolvimento de civilizações, uma das mais avançadas da experiência humana. Entretanto, a imagem de seus povos como não construtores do conhecimento ou da tecnologia, complementada pela idéia de suas civilizações como “importadas” ou erigidas por povos estrangeiros, ainda molda o conceito comum da África como um continente sem história. Apenas muito recentemente, há o reconhecimento de uma África histórica repleta de grandes realizações.

Ao abordar a história africana, é preciso ampliar a perspectiva para muito além dos últimos quinhentos anos, que constituem apenas uma minúscula parte dessa história. Aliás, o ufanismo em torno da expansão européia quinhentista tende a distorcer nossa visão histórica em geral, reduzindo o mundo antigo a um imobilismo primitivo que não o caracterizava. Os povos antigos, até mesmo africanos, navegavam os mares à procura da rota para as Índias, milênios antes das caravelas portuguesas e espanholas. Os egípcios construíam navios de grande porte desde o terceiro milênio a.C., e há indícios de que enviavam frotas até à Irlanda à procura de estanho para fazer o bronze. O mundo antigo caracterizava-se por ativo comércio e intercâmbio cultural entre a África, a Europa, Sumer e Elam, a Índia, a China e Ásia oriental, e provavelmente as Américas.

Os mouros, basicamente povos africanos islamizados, dominaram a península ibérica durante séculos, ocasionando um verdadeiro iluminismo na Idade Média européia ao protagonizar o avanço dinâmico do conhecimento humano. Na Europa, naquela época, não havia dúvida quanto à identidade africana dos mouros, como testemunham o personagem Otelo, de Shakespeare, bem como retratos pintados e bustos esculpidos à época.
A circunscrição do olhar histórico aos últimos quinhentos anos reforça a imagem construída, muito recentemente, dos povos africanos como primitivos ou eternos escravos. Ao deixar de lado 5.500 anos de desenvolvimento africano que antecedem o período da escravidão mercantil, essa perspectiva encoberta um fato incontestável: os africanos viveram apenas uma ínfima parte de seu tempo histórico amarrados aos grilhões da escravidão mercantil. Durante milênios, foram agentes ativos do desenvolvimento da civilização humana em todo o mundo. Você já havia pensado nisso? O período da escravidão mercantil e da colonização e descolonização da África correspondem a menos de 8% dos seis mil anos da história africana! Ou seja, os africanos viveram 92% de sua história exercendo sua soberania e contribuindo para a construção da civilização e do desenvolvimento em todo o mundo.